Vida e Trabalho T2E10| A plataformização e as condições de trabalho das profissionais da educação em Goiânia
Sindicato afirma que “excesso” de plataformas digitais na educação municipal causa prejuízos em Goiânia
O episódio do programa "Vida e Trabalho” desta semana da Rádio UFG, 88,5 FM, discute a plataformização e as condições de trabalho das profissionais da educação em Goiânia.
Com produção e apresentação de Wákila Mesquita e João Pedro Onofre; e edição de Iago Mendonça, o episódio aborda como o excesso de plataformas digitais pode afetar a qualidade do ensino e a qualidade de vida das professoras.
A convidada do programa é a presidenta em exercício do Sintego, Ludmylla Morais. A sindicalista alega que a Secretaria Municipal de Educação (SME) de Goiânia tem investido de forma exagerada em plataformas digitais que, na prática, não funcionam. Segundo ela, os professores precisam lidar com uma média de cinco plataformas que apresentam quedas constantes. Essa instabilidade obriga os profissionais a fazerem os registros à mão e a lançarem os mesmos dados repetidas vezes nos sistemas, uma rotina que a representante classifica como adoecedora.
A presidenta do Sintego afirma ainda que a prioridade da prefeitura deixou de ser a aprendizagem das crianças e passou a se concentrar no preenchimento de dados. Ludmylla questiona a obrigação dos profissionais de serem "escravos da plataforma" em detrimento do ensino, e alerta que os dados monitorados por esses sistemas digitais acabam não refletindo a realidade das escolas.
Outro lado
A equipe de jornalismo da Rádio UFG procurou a Secretaria Municipal de Educação (SME) de Goiânia e enviou perguntas detalhadas sobre a quantidade de plataformas utilizadas pelos professores, as queixas de falhas constantes e a veracidade dos dados coletados.
A SME afirma que o número de plataformas usadas pelos professores muda conforme o ano de atuação, o componente curricular e outros critérios. Desse modo, a pasta não informou quantas plataformas cada docente precisa usar.
A gestão negou que existam falhas recorrentes nas plataformas e afirmou que não orienta que professores preencham documentos manualmente para depois lançar os dados nos sistemas.
Nós perguntamos à secretaria por quanto tempo as plataformas ficaram fora do ar em 2025 ou se existe algum índice que meça essa questão. A pasta reafirmou que as falhas que ocorrem são pontuais. Porém, não forneceu os dados para que a reportagem pudesse verificar a informação exata.
Sobre a alegação do Sintego, de que os dados das plataformas não refletem a realidade, a prefeitura afirmou que não compartilha dessa visão. A gestão municipal garante que os dados gerados pelas plataformas ajudam a verificar erros e solucionar problemas.
Produção e apresentação: Wákila Mesquita
Entrevistado: Ludmylla Morais, presidenta em exerxício do Sindicato dos Trabalhadores da Educação de Goiás (Sintego)
Fonte: radio ufg
Categorias: Podcast vidaetrabalho
